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Imobiliário

Taxa de esforço de 45%: o que muda para quem quer comprar casa

14 de julho de 2026 DS Moita
Taxa de esforço de 45%: o que muda para quem quer comprar casa

A partir de 1 de agosto de 2026, comprar casa com crédito passa a obedecer a uma regra mais apertada. O Banco de Portugal confirmou a descida da taxa de esforço máxima de 50% para 45%, uma mudança que altera a forma como os bancos avaliam quem pede crédito habitação.

Esta nova taxa de esforço de 45% pode reduzir o valor que algumas famílias conseguem financiar. Mas há boas notícias: com preparação, continua a existir margem para comprar com segurança. Explicamos o que muda e como se antecipar.

O que é a taxa de esforço

A taxa de esforço é a fatia do seu rendimento mensal líquido que fica comprometida com o pagamento de créditos. Entra tudo: a prestação da casa, mas também o crédito automóvel, o crédito pessoal e os cartões de crédito. Quanto mais baixo for o limite, menor é o valor que o banco lhe pode emprestar.

Na banca, este indicador é conhecido por DSTI. E não se calcula apenas com a prestação atual. O banco faz um teste de esforço: simula uma subida das taxas de juro de 1,5 pontos percentuais e uma quebra de rendimento de 20% depois dos 70 anos. Na prática, a prestação que conta acaba por ser mais alta do que a que vê na primeira simulação.

O que muda a partir de 1 de agosto

No início de julho, o Banco de Portugal publicou uma nova recomendação que baixa o limite máximo da taxa de esforço de 50% para 45%. As regras aplicam-se aos contratos cuja avaliação seja feita a partir de 1 de agosto de 2026. Quem tiver o processo avaliado antes dessa data mantém as condições anteriores.

Convém reter um ponto: continua a ser uma recomendação, não uma imposição. Os bancos podem ultrapassar o limite, mas têm de justificar cada caso. E a margem para o fazer diminui — passam a poder conceder crédito acima dos 45% em, no máximo, 10% do total de cada semestre, quando antes essa folga era maior.

Há ainda uma alteração que joga a favor dos mais novos. O prazo máximo do empréstimo sobe de 37 para 40 anos para quem tem até 35 anos. Um prazo mais longo reduz a prestação mensal e pode compensar, em parte, o efeito do limite mais baixo.

Quem é mais afetado pela taxa de esforço de 45%

Para a maioria das famílias, o impacto é reduzido. Em 2025, cerca de três em cada quatro novos créditos já ficavam dentro dos 45%, e a taxa de esforço média no crédito habitação ronda os 30%.

O aperto sente-se sobretudo em quem já está perto do limite: agregados com vários créditos ativos, rendimentos mais baixos ou trabalhadores independentes, para quem os bancos tendem a ser mais cautelosos. Nestes casos, o montante aprovado pode ser menor ou o pedido pode mesmo ser recusado.

Um exemplo prático

Imagine um agregado com 2.000€ de rendimento líquido por mês. Com o limite antigo de 50%, podia comprometer até 1.000€ com prestações de crédito. Com a nova taxa de esforço de 45%, esse valor desce para 900€.

São menos 100€ por mês disponíveis para a prestação. E, como o valor da prestação define quanto o banco empresta, isso reduz o montante total de crédito a que o agregado pode aceder.

3 formas de se preparar

A melhor forma de baixar a taxa de esforço é libertar rendimento antes de pedir o crédito. Três passos fazem a diferença:

  1. Amortize créditos pessoais e automóvel. Cada prestação que termina liberta espaço no orçamento e melhora o seu perfil aos olhos do banco.
  2. Baixe ou cancele limites de cartões que não usa. Mesmo sem dívida, o limite disponível de um cartão conta como responsabilidade potencial no cálculo.
  3. Reforce a entrada e evite compras a prestações antes do pedido. Quanto menor o valor a financiar, menor a prestação. E não abra novos créditos nos meses que antecedem o processo.

Um passo extra: consulte o seu mapa de responsabilidades de crédito no Banco de Portugal (é gratuito). Assim vê exatamente aquilo que o banco vai analisar e corrige a tempo o que estiver por resolver.

Prepare o seu crédito com antecedência

A nova taxa de esforço de 45% não fecha a porta à compra de casa. Muda, sim, a forma de a preparar. Com o orçamento organizado e as contas feitas com margem, continua a ser possível comprar com segurança.

Na DS Moita, ajudamos a perceber a sua taxa de esforço, a organizar o processo e a encontrar a solução mais adequada ao seu caso. Fale connosco antes de avançar para o banco.

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